A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acusou o deputado André Janones (Rede-MG) de excluir 499 publicações do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne milhões de seguidores e apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O número divulgado pela candidatura de Flávio, no entanto, não foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Até o momento, a campanha afirma possuir um levantamento próprio, mas não apresentou publicamente elementos que permitam verificar que exatamente 499 conteúdos tenham sido apagados.
A acusação surgiu depois que a equipe técnica do TSE não encontrou, nas publicações analisadas entre 2 e 11 de outubro, as informações falsas apontadas pela campanha de Flávio para justificar o pedido de suspensão do canal.
TSE NÃO ENCONTROU AS FAKE NEWS DENUNCIADAS
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE examinou textos, mensagens e parte dos vídeos publicados no canal. Segundo o relatório, não foram localizadas reproduções idênticas ou substancialmente equivalentes às afirmações questionadas no processo.
O resultado enfraquece a alegação usada pela campanha de Flávio Bolsonaro para tentar retirar do ar um dos principais canais digitais de apoio a Lula durante o segundo turno.
A análise técnica não declarou que todo o conteúdo do canal é verdadeiro nem conseguiu examinar integralmente todos os vídeos e áudios. Ainda assim, o fato objetivo é que as fake news indicadas pela campanha de Flávio não foram encontradas no material analisado.
RELATÓRIO REGISTRA MENSAGENS INDISPONÍVEIS, MAS NÃO CONFIRMA NÚMERO DE FLÁVIO
O documento do TSE registrou que parte das publicações anteriores estava indisponível e que 81 mensagens desapareceram antes que seu conteúdo pudesse ser lido. Isso limitou a reconstrução completa do histórico do canal.
Essa informação, porém, não comprova a acusação de que Janones tenha apagado 499 conteúdos para esconder notícias falsas.
Também não é possível concluir automaticamente que uma publicação apagada continha desinformação. Mensagens podem ser excluídas ou editadas por diferentes motivos, e a campanha de Flávio ainda precisa demonstrar o conteúdo, a autoria, a data e a falsidade de cada material que afirma ter preservado.
ACUSAÇÃO TENTA EXPLICAR AUSÊNCIA DE PROVAS
Ao divulgar o número de 499 supostas exclusões, a campanha de Flávio tenta atribuir a falta de comprovação das fake news ao desaparecimento das mensagens. A justificativa transfere para Janones a responsabilidade pelo fato de a equipe técnica não ter localizado o conteúdo denunciado.
Se a campanha afirma ter monitorado e preservado as publicações em tempo real, deverá apresentar esse material ao TSE para que ele seja submetido à análise técnica e ao contraditório.
Até que isso aconteça, o número de 499 permanece como uma alegação da candidatura de Flávio Bolsonaro, e não como uma conclusão da Justiça Eleitoral.
O que está oficialmente documentado é que o setor especializado do TSE analisou o canal e não encontrou as publicações falsas usadas como fundamento para pedir sua suspensão.


