Dado foi relatado por um livreiro que pediu anonimato e se refere a um estabelecimento; não há levantamento nacional sobre as vendas do título.
Livrarias estão entre os comércios incluídos em listas de boicote divulgadas por apoiadores de Flávio Bolsonaro após a reeleição de Lula. As mensagens pedem que consumidores deixem de comprar em estabelecimentos associados ao presidente, transformando a posição política de seus proprietários em motivo para retaliação comercial.
O movimento atinge um setor em que parte dos empresários declarou publicamente seu voto. Durante o segundo turno, cerca de 60 livrarias se articularam em apoio a Lula. Depois da eleição, nomes de livrarias passaram a circular em listas de boicote ao lado de outros negócios.
Um livreiro que pediu para não ser identificado relatou que sua loja vendia, em média, 50 exemplares de Café com Deus Pai por semana antes do boicote. Segundo o relato repassado à redação, as vendas do título caíram cerca de 80% depois da circulação das listas. Os números se referem apenas ao estabelecimento mencionado pelo comerciante e não foram acompanhados de registros de vendas que permitam conferência independente. Tampouco é possível atribuir toda a queda exclusivamente ao boicote sem comparar outros fatores que afetam a procura pelo livro.
A pressão comercial pode afetar também funcionários, autores e editoras. Declarar apoio a um candidato não impede uma livraria de atender leitores com opiniões diferentes ou de vender obras de diversas correntes. O boicote tenta fazer da escolha política de seus proprietários um critério para decidir onde as pessoas podem comprar livros.


