A Polícia Federal apura se R$ 750 mil transferidos à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, tiveram origem em recursos de emendas parlamentares. A suspeita motivou uma operação realizada em 10 de setembro, com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama estiveram entre os alvos.
O ponto central da apuração é o caminho percorrido pelo dinheiro antes de chegar à Go Up Entertainment, responsável pela produção. Karina também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas de Frias, segundo o relatório policial baseado em informações da Controladoria-Geral da União.
Metade desses recursos foi destinada a um projeto de letramento digital. Dentro dessa iniciativa, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional receberam, juntos, R$ 700 mil do ICB entre fevereiro e março de 2025. Já em novembro e dezembro daquele ano, a NTT Brasil, vinculada ao mesmo grupo de fornecedores, transferiu R$ 750 mil à Go Up.
Os investigadores ressaltam que os elementos reunidos até agora não permitem confirmar que o repasse à produtora veio diretamente do dinheiro recebido pelo instituto. A proximidade dos valores, os vínculos entre as empresas e a sequência das operações, porém, são considerados relevantes para o rastreamento financeiro.
A análise também relaciona essas movimentações ao período das filmagens. Entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, a produtora pagou R$ 906,7 mil a um hotel e R$ 653 mil a uma empresa de alimentação, conforme a decisão judicial.
Outro ponto sob exame são transferências de R$ 645,4 mil feitas por Frias à Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. A PF questiona o lastro financeiro dessas operações diante dos rendimentos mensais do parlamentar informados no relatório.
Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Dino também determinou que Frias não deixe o país e retirou o sigilo da investigação.
Frias negou irregularidades e afirmou que as emendas financiaram um projeto esportivo e outro de letramento digital. O deputado classificou a operação como “cortina de fumaça” e disse que sua defesa vinha solicitando acesso ao inquérito sem sucesso. Karina Gama também negou irregularidades.
Flávio Bolsonaro, que buscou financiamento privado para a produção junto a Daniel Vorcaro, não é alvo deste inquérito específico sobre a Go Up. O senador sustenta que o filme não utilizou dinheiro público. A apuração sobre a origem dos recursos permanece em andamento.


