Trump chama Brasil de “politicamente perigoso” e diz que “querem prender Bolsonaro Jr.”

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17), durante entrevista coletiva na cúpula do G7, em Evian, na França, que a situação política do Brasil está “um pouco difícil” e classificou o país como “perigoso politicamente”. Ao comentar o cenário brasileiro, ele também declarou que ouviu dizer que “prenderam” ou “querem prender” o que chamou de “Bolsonaro Jr.”, ao se referir à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A fala ocorreu quando Trump foi questionado sobre uma eventual conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Em vez de responder diretamente sobre esses pontos, o presidente americano mencionou os Bolsonaro e acabou confundindo os filhos do ex-presidente brasileiro.

Trump disse ter passado “bastante tempo” com Lula, mas afirmou que não tratou dos temas levantados. Na sequência, declarou que o Brasil vive um ambiente político duro e sugeriu que um nome ligado à família Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição mesmo aparecendo bem nas pesquisas.

A declaração acontece um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. A acusação sustentou que ele articulou, nos Estados Unidos, pressões e possíveis retaliações contra autoridades brasileiras numa tentativa de interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

Ao mesmo tempo, a relação entre Brasil e Estados Unidos voltou a se tensionar por causa da ameaça de novas tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. O governo americano alega preocupações ligadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, etanol, combate à corrupção, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

Além disso, a Casa Branca oficializou neste mês a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, decisão que provocou forte reação do governo brasileiro. O Planalto avalia que a medida pode abrir margem para pressões externas sobre temas de segurança pública e soberania nacional, além de contrariar a forma como a legislação brasileira distingue facções criminosas de atos de terrorismo.

A presença simultânea de Lula e Trump no G7 ampliou a expectativa por possíveis encontros e gestos diplomáticos entre os dois governos, justamente em um momento de atrito crescente. A fala do presidente americano, ao misturar o embate tarifário com referências à família Bolsonaro, acrescenta um novo elemento político a uma relação bilateral já tensionada.

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