O aumento do uso de medicamentos da classe GLP-1 para diabetes e obesidade trouxe um desafio aos profissionais de saúde: identificar quando a redução do apetite faz parte do tratamento e quando vem acompanhada de um transtorno alimentar. Especialistas alertam que alguns pacientes podem apresentar perda de peso prejudicial, restrição intensa de comida e sinais de anorexia que passam despercebidos durante o acompanhamento.
Os sintomas podem se confundir. Tontura, queda de cabelo e dificuldade para se alimentar podem estar associados tanto aos efeitos do medicamento quanto à desnutrição ou a um transtorno alimentar. O peso corporal, sozinho, não descarta o problema: a chamada anorexia atípica pode ocorrer também em pessoas que não estão abaixo do peso.
Um consenso internacional recente recomenda investigar o histórico de transtornos alimentares antes de iniciar o tratamento e acompanhar possíveis sintomas ao longo do uso. Para pessoas com anorexia ativa, anorexia atípica ou bulimia com restrição alimentar importante, os especialistas aconselham evitar esses medicamentos em geral; casos anteriores exigem cautela individualizada.
Isso não significa que as canetas causem anorexia em todos os usuários, nem apaga seus benefícios comprovados quando há indicação médica. A evidência sobre a frequência de novos transtornos entre usuários ainda é limitada. O alerta é para que sinais de sofrimento com a alimentação sejam levados à equipe de saúde e avaliados junto com as condições que motivaram a prescrição, sem interrupção do tratamento por conta própria.


