Ação de R$ 3,6 bilhões cobra reparação da Ultracargo por incêndio que atingiu Santos em 2015

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Os ministérios públicos estadual e federal moveram uma ação civil pública de R$ 3,6 bilhões contra a Ultracargo para cobrar reparação pelos danos ambientais provocados pelo incêndio de grandes proporções registrado em 2015, na Alemoa, em Santos. Onze anos depois da tragédia, o caso volta ao centro do debate com a cobrança por compensação aos impactos causados ao ar, à água, ao solo, à fauna, à flora e também às comunidades afetadas.

O incêndio começou após um erro em operações de carga e provocou uma explosão seguida por fogo em tanques de combustível. Segundo o histórico do caso, as chamas consumiram milhões de litros de combustíveis e mobilizaram uma operação de combate que durou dias, deixando marcas profundas no estuário santista e em áreas de manguezal. À época, a Cetesb classificou o episódio como a maior tragédia do tipo no Brasil.

Na ação, os promotores e procuradores pedem não apenas indenização financeira, mas também medidas voltadas à reparação efetiva dos danos ambientais e sociais. O processo inclui cobrança por dano moral coletivo e reparação proporcional à gravidade do caso, além de apontar prejuízos a pescadores artesanais e ao equilíbrio ecológico da região.

Um dos pontos mais sensíveis da discussão é a recuperação do manguezal. Conforme os dados levados ao processo, a maior parte da área afetada ainda não foi restaurada integralmente, o que reforça a avaliação de que os efeitos do incêndio permanecem vivos mais de uma década depois.

A Justiça Federal negou, por ora, um pedido de tutela de urgência para medidas imediatas, mas a ação segue em andamento. Em nota, a Ultracargo afirmou que não se omitiu desde o incêndio e disse que já adotou providências e investimentos voltados à reparação ambiental e à segurança operacional.

O avanço da ação reacende uma discussão que vai além da responsabilização de uma empresa. O caso recoloca em pauta o custo ambiental de acidentes industriais em áreas portuárias e a lentidão histórica dos processos de reparação, especialmente quando os impactos atingem ecossistemas sensíveis e comunidades que dependem diretamente deles para sobreviver.

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