A Câmara de Santos abriu uma frente de fiscalização sobre pagamentos de publicidade oficial destinados a páginas e perfis de redes sociais. O líder da oposição, Rui De Rosis Jr. (PL), apresentou requerimento para convidar a secretária municipal de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino, a prestar esclarecimentos aos vereadores.
Segundo o parlamentar, a análise de 19 processos administrativos relativos a pagamentos feitos entre dezembro de 2024 e outubro de 2025 identificou R$ 133 mil destinados a perfis voltados ao público de São Vicente. De Rosis afirma que documentos de comprovação de veiculação incluíram postagens com críticas a adversários da gestão e elogios a um aliado político do prefeito Rogério Santos.
O vereador informou que levou o caso ao Ministério Público de São Paulo. Em outro requerimento, Allison Sales (PL), citado em conteúdos críticos, pediu explicações sobre a eventual existência de ordem do Executivo para financiar publicações contra opositores. Os questionamentos são acusações políticas e ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes.
A Secretaria de Comunicação declarou que as publicações patrocinadas têm caráter estritamente institucional e são contratadas para ampliar a divulgação de serviços e atividades municipais. A pasta negou que o município tenha pago por críticas a vereadores ou adversários.
De acordo com a versão apresentada pela administração, a autorização específica tratava da divulgação de uma atividade do Natal Criativo. O perfil contratado teria encaminhado, na prestação de contas, um relatório amplo de engajamento que também reuniu conteúdos editoriais próprios. A empresa responsável pelo contrato publicitário teria sido notificada para corrigir a documentação.
O convite à secretária ainda precisa seguir o procedimento do Legislativo. A análise deverá buscar separar o conteúdo efetivamente contratado das demais publicações dos perfis e verificar notas fiscais, ordens de serviço, relatórios de entrega e critérios usados para selecionar os veículos digitais.
A Câmara poderá ainda requisitar cópias integrais dos processos e ouvir representantes das empresas envolvidas. O controle sobre publicidade pública deve demonstrar interesse coletivo, alcance, preço e entrega, além de impedir que recursos municipais sejam utilizados para promoção pessoal ou disputa político-partidária.


