O Porto de Santos registrou uma operação inédita no país com o primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres com etanol. A manobra ocorreu no terminal da Santos Brasil, em Guarujá, e envolveu o CMA CGM Iron, embarcação da armadora francesa CMA CGM.
O navio recebeu 500 toneladas do combustível renovável, o equivalente a cerca de 635 mil litros. O volume foi destinado ao abastecimento de um dos tanques da embarcação, em uma operação considerada estratégica para testar o uso do etanol como alternativa na descarbonização da navegação marítima.
O CMA CGM Iron foi entregue em 2025 e tem capacidade para transportar 13 mil TEUs, unidade usada para medir contêineres de 20 pés. Ele é o primeiro navio de uma série de 12 embarcações equipadas com motor tricombustível, certificado para operar com etanol.
O combustível usado na operação foi fornecido pela Copersucar. A proposta é utilizar o mesmo tipo de etanol anidro empregado no Brasil na mistura com a gasolina, ampliando a aplicação do biocombustível para o setor marítimo.
Segundo as empresas envolvidas, o uso do etanol pode reduzir em cerca de 70% as emissões quando comparado ao combustível fóssil de navegação. A operação também servirá para avaliar a eficiência energética do combustível e apoiar a decisão sobre eventual uso em outras embarcações da armadora.
O projeto foi desenvolvido ao longo de dois anos e envolveu diferentes agentes da cadeia logística. Para viabilizar o abastecimento, foram necessárias adaptações técnicas, equipamentos específicos, treinamento intensivo das equipes e plano de emergência voltado às características do etanol, que tem ponto de fulgor mais baixo que o diesel marítimo.
Além da redução de emissões, o etanol apresenta vantagem ambiental em caso de vazamento, já que evapora mais rapidamente e não causa o mesmo impacto hídrico de combustíveis derivados de petróleo. Esse fator também altera a forma de resposta em situações de emergência.
Após deixar Santos, o CMA CGM Iron seguirá para Paranaguá, no Paraná, e depois para o Sri Lanka, no sul da Ásia. A partir dessa viagem, a armadora deverá avaliar os resultados do abastecimento e o potencial de expansão do uso do etanol em sua frota.
A operação coloca o Porto de Santos em posição de destaque na agenda de transição energética do transporte marítimo. Também abre uma nova oportunidade para o Brasil, que é grande produtor de etanol e pode se tornar fornecedor estratégico desse combustível para a navegação internacional.


