O número de artigos científicos com referências bibliográficas inexistentes cresceu de forma acelerada após a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa. Uma auditoria com 2,5 milhões de trabalhos biomédicos encontrou aumento de aproximadamente 14 vezes na proporção dessas citações entre 2023 e o início de 2026.
Em 2023, cerca de quatro em cada 10 mil artigos analisados continham ao menos uma referência fabricada. No primeiro trimestre de 2026, a taxa chegou a 56,9 por 10 mil. Os pesquisadores examinaram mais de 125 milhões de referências com um sistema automatizado.
Modelos de linguagem podem produzir títulos, autores e nomes de revistas que parecem plausíveis, mas não existem. Quando o usuário não verifica a resposta, a informação falsa entra no manuscrito e pode atravessar etapas de revisão até chegar à publicação.
O crescimento também pode estar relacionado a fábricas de artigos e mudanças de indexação, mas a curva coincide com o uso disseminado de ferramentas como ChatGPT e Claude. O problema compromete a rastreabilidade das evidências e pode induzir novos estudos ao erro.
Editores defendem sistemas automáticos de verificação antes da revisão por pares e auditorias retrospectivas em periódicos. A inteligência artificial também pode ajudar a encontrar fraudes, mas a responsabilidade final continua sendo dos autores e das revistas.


