Nvidia e SpaceX trabalham juntas no Starmind AI1, um satélite de grande porte projetado para funcionar como data center de inteligência artificial em órbita. A expectativa apresentada pelas empresas é iniciar os primeiros lançamentos em 2027.
O sistema deverá usar processadores Vera e GPUs Rubin adaptados da plataforma NVL72, arquitetura criada originalmente para instalações terrestres. Em sua configuração convencional, o conjunto reúne 72 GPUs Rubin e 36 CPUs Vera conectadas por tecnologia de alta velocidade, fazendo os componentes operarem como uma única unidade de computação.
Computação no espaço exige novo projeto
Levar essa estrutura à órbita exige mudanças profundas. Os equipamentos precisam resistir à vibração do lançamento, à radiação, a variações extremas de temperatura e a longos períodos sem manutenção humana. Cabos, distribuição de energia, suportes estruturais e refrigeração também precisam ser redesenhados para reduzir peso e pontos de falha.
A energia deverá vir de grandes painéis solares. O planejamento citado para o AI1 prevê consumo aproximado de 160 quilowatts em operação normal e até 250 quilowatts nos momentos de pico. A refrigeração, porém, é um dos maiores desafios: como não há ar para retirar o calor, a energia térmica terá de circular por um sistema líquido e ser dissipada por extensas superfícies radiadoras.
Entre as aplicações previstas está o processamento de imagens, dados meteorológicos e comunicações próximo à fonte. Em vez de enviar grandes volumes de informação bruta à Terra, o satélite poderia transmitir apenas os resultados úteis por conexões a laser.
A SpaceX também estuda interligar os equipamentos Starmind à rede Starlink. O projeto ainda precisará demonstrar que a arquitetura mantém desempenho após o lançamento, opera continuamente sob radiação e consegue implantar com segurança seus painéis e radiadores.


