A SpaceX prepara uma rede móvel própria capaz de combinar satélites da Starlink com estações terrestres. O objetivo é disputar diretamente o mercado norte-americano com Verizon, AT&T e T-Mobile. A primeira versão do serviço pode chegar até o fim de 2027, caso o cronograma seja mantido.
Hoje, a conexão direta da Starlink com celulares funciona principalmente como complemento às operadoras tradicionais em locais sem torres. O novo modelo transformaria a empresa em operadora, usando antenas compactas e equipamentos instalados em telhados para atender áreas densas, enquanto os satélites cobririam estradas, zonas rurais e regiões remotas.
Rede híbrida tenta unir alcance e capacidade
Satélites conseguem cobrir territórios muito extensos, mas a capacidade disponível precisa ser dividida entre todos os usuários da área. Essa solução é adequada para mensagens de emergência e conectividade básica, mas encontra limites quando milhares de pessoas tentam assistir a vídeos ou fazer chamadas simultaneamente.
As estações terrestres resolveriam parte desse problema ao concentrar capacidade em áreas menores. A base do projeto é o espectro adquirido da EchoStar em acordos avaliados em cerca de US$ 17 bilhões, além de uma operação posterior de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em ações da SpaceX.
A implantação urbana será o principal desafio. A empresa precisará obter licenças, alugar locais, instalar conexões de alta capacidade e atender prédios, elevadores e áreas subterrâneas. Também terá de criar estruturas de cobrança, suporte, prevenção a fraudes, portabilidade numérica e chamadas de emergência.
A relação com a T-Mobile tende a ficar mais complexa. A operadora ajudou a lançar a conexão direta da Starlink nos Estados Unidos, mas poderá se tornar concorrente no varejo. Ainda assim, parcerias por atacado e acordos de cobertura podem continuar, sobretudo em países onde a SpaceX não pretende construir uma rede terrestre completa.


