Mulheres conquistam espaço e protagonismo na Guarda Civil Municipal de Praia Grande

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A presença feminina na Guarda Civil Municipal de Praia Grande ganha destaque. Atualmente, a corporação conta com 69 mulheres entre os 460 integrantes, número que ainda representa minoria, mas que reflete uma trajetória marcada por avanços, superação e crescente reconhecimento dentro da segurança pública.

A presença feminina na área é relativamente recente na história do país. Um marco importante ocorreu em 1955, quando Hilda Macedo se tornou a primeira comandante do Policiamento Especial Feminino em São Paulo, abrindo caminho para a participação de mulheres em funções tradicionalmente ocupadas por homens.

Em Praia Grande, a primeira turma da GCM aprovada em concurso público foi formada em 2001. Na época, apenas 27 mulheres estavam entre os 272 guardas convocados. Desde então, elas vêm demonstrando capacidade, dedicação e preparo para exercer as mais diversas funções dentro da corporação.

Uma das pioneiras é a inspetora Tatiana Fontoura, que integra a Guarda desde aquela primeira turma. Ao longo dos anos, ela passou por diferentes setores e hoje lidera uma equipe com 11 guardas. Segundo ela, o início foi marcado por estranhamento por parte da população.

No começo era difícil. As pessoas estranhavam ver mulheres no patrulhamento, fazendo abordagens. Mas mostramos que estávamos preparadas. Hoje sentimos respeito e admiração tanto dos colegas quanto da sociedade”, afirma.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Tatiana destaca que muitas guardas enfrentam a chamada jornada dupla ou até tripla, conciliando os plantões — inclusive noturnos — com responsabilidades familiares e domésticas.

“Terminamos o turno e ainda temos casa, filhos e outras demandas para cuidar. Mesmo assim, amo o que faço”, relata.

Outra história marcante é a da guarda Tamires Souza Santos, integrante da turma mais recente da corporação, formada em 2023. A decisão de prestar o concurso surgiu após viver um relacionamento abusivo, que a motivou a buscar independência financeira e reconstruir sua vida.

“Eu queria conquistar minha independência para sair daquela situação e consegui isso na Guarda de Praia Grande. Foi um divisor de águas”, conta.

Hoje, Tamires também atua no Grupamento Guardiã Maria da Penha, que acompanha mulheres vítimas de violência doméstica. Para ela, a função tem um significado especial.

Sinto como uma missão ajudar mulheres que passam por algo que eu também vivi. Espero que elas também possam ter um final feliz”, afirma.

A presença feminina também já alcançou cargos de liderança dentro da corporação. A Guarda Civil Municipal de Praia Grande foi comandada por duas mulheres nos últimos anos: Silvia Regina Delgado, entre 2021 e 2022, e Rosana Cátia Santos da Costa, de 2023 a 2024. Ambas seguem atuando na instituição.

Além das guardas, outras quatro servidoras trabalham na Secretaria de Assuntos de Segurança Pública de Praia Grande, contribuindo para que a corporação mantenha sua posição de referência na área de segurança pública na região.

A trajetória dessas profissionais demonstra que, mesmo diante de desafios, as mulheres seguem ampliando sua presença e fortalecendo o papel feminino na segurança pública, inspirando novas gerações a ocupar cada vez mais espaços.

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