A Autoridade Portuária de Santos abriu a licitação para transferir à iniciativa privada a operação do Complexo Hidrelétrico de Itatinga, em Bertioga, em um contrato estimado em R$ 717,5 milhões e com prazo de 20 anos, renovável. A proposta inclui não apenas a usina, mas também a Vila de Itatinga, com 61 residências e equipamentos comunitários.
Pelo edital, a futura cessionária terá de assumir a modernização, a expansão e a operação da usina, além de revitalizar os imóveis do complexo para aproveitamento turístico, com foco em hotelaria. A concorrência será decidida pelos critérios de técnica e preço, e a abertura das propostas está marcada para 17 de agosto.
Na parte energética, o plano prevê ampliar a potência instalada de 15 MW para 18 MW, modernizar cerca de 30 quilômetros de linha de transmissão e manter como prioridade o abastecimento da própria Autoridade Portuária. O excedente de energia poderá ser comercializado. O contrato também prevê estudos para geração renovável com foco em hidrogênio verde.
Os investimentos exigidos para modernização das estruturas civis, hidráulicas e eletromecânicas giram em torno de R$ 200 milhões. Em contrapartida, a empresa vencedora terá de repassar à APS ao menos 3% da receita operacional bruta obtida com a exploração da área.
Além do peso econômico, a concessão envolve um patrimônio histórico relevante. A Pequena Central Hidrelétrica de Itatinga começou a ser construída em 1904 e foi concluída em 1910, tornando-se uma das primeiras usinas hidrelétricas a fio d’água do país. Já a vila preserva construções originais e equipamentos comunitários que mantêm viva a memória da ocupação ligada ao Porto de Santos.


