Ilhabela caminha para se tornar a primeira cidade paulista abastecida com água do mar dessalinizada. A Sabesp iniciou a implantação do novo sistema no litoral norte com a proposta de reforçar a segurança hídrica do município, que tem 35,6 mil moradores, mas recebe mais de 1 milhão de visitantes na temporada de verão.
O projeto prevê investimento de R$ 56,4 milhões e prazo total de três anos. A entrega completa está prevista para 2029, mas a primeira fase deve ficar pronta no fim de 2027, quando a água dessalinizada já começará a chegar às torneiras. Com a nova estrutura, a expectativa é que o sistema consiga abastecer até 60 mil pessoas.
A escolha de Ilhabela levou em conta justamente a pressão sazonal sobre o abastecimento e as limitações ambientais para ampliar a captação convencional de água. Cerca de 80% do território do município está em áreas de preservação permanente, o que dificulta novas soluções tradicionais para atender a demanda crescente.
O novo sistema vai reforçar a produção de água na região de Água Branca, com vazão de 20 litros por segundo, o que representa aumento de 20% na oferta atual. Serão atendidos moradores e visitantes das regiões central e norte da ilha, em bairros como Itaguaçu, Itaquanduba, Engenho D’Água, Saco da Capela, Centro, Barreiros, Siriúba, Pedra do Sino e Armação.
Para transformar a água salgada em água potável, a companhia vai usar a tecnologia de osmose reversa, em que a água passa por membranas semipermeáveis sob alta pressão para retenção dos sais. O rejeito do processo, a salmoura, será conduzido por tubulação até a Estação Elevatória de Esgoto Florinha e depois lançado por emissário submarino em profundidade no Canal de São Sebastião.


