Redes digitais adotam modelo de facções para aliciar adolescentes

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Grupos investigados pela Polícia Civil de São Paulo por aliciamento e extorsão de crianças e adolescentes na internet passaram a operar com uma estrutura semelhante à de facções criminosas, com líderes, administradores, moderadores, divisão de tarefas e milhares de integrantes espalhados por diferentes plataformas digitais.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a investigação aponta que essas redes não funcionam de forma improvisada. Há hierarquia, promoção interna, controle das interações e funções específicas para cada participante, em uma engrenagem que lembra organizações criminosas tradicionais.

O aliciamento costuma começar em jogos online, redes sociais e aplicativos de mensagens. A partir dos primeiros contatos, muitas vezes disfarçados de amizade ou relacionamento virtual, as vítimas são levadas a compartilhar fotos, dados pessoais e informações familiares. Depois disso, passam a ser ameaçadas e chantageadas.

A Polícia Civil identifica nesses casos uma dinâmica de sextorsão, em que crianças e adolescentes são coagidos sob ameaça de exposição de imagens ou dados. A investigação também aponta escalada para situações de automutilação, exploração sexual, conteúdo extremista e outras formas de violência digital.

Uma das descobertas mais preocupantes é que as vítimas não estão concentradas em uma única cidade ou estado. Os casos analisados envolvem adolescentes de diferentes regiões do País, o que mostra a capacidade dessas redes de alcançar famílias em qualquer localidade.

A reportagem também cita que parte do material circula em servidores e comunidades fechadas, com uso de aplicativos de mensagens, plataformas de jogos, dark web e criptomoedas. A estrutura financeira combina moedas digitais, assinaturas para acesso a grupos restritos e outras formas de monetização ilegal.

Dados citados pela Folha mostram que os registros de produção e distribuição de material de abuso sexual infantil na internet cresceram 176,7% entre 2021 e 2025. No mesmo período, também houve aumento de casos de cyberbullying, cenário que impulsionou o debate sobre o ECA Digital e a responsabilização de plataformas na prevenção de riscos a menores.

Para especialistas e investigadores, o caso mostra que o perigo não está apenas em um adolescente isolado usando o celular no quarto. A preocupação é com estruturas organizadas, hierarquizadas e com grande capacidade de recrutamento, intimidação e exploração.

A investigação reforça a necessidade de atenção das famílias, atuação especializada das forças de segurança e maior cooperação das plataformas digitais com autoridades. O desafio é impedir que ambientes de jogos, redes sociais e aplicativos de mensagem sejam usados como portas de entrada para crimes contra crianças e adolescentes.

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