A Receita Federal anunciou que vai ampliar o uso de inteligência de dados e da cooperação internacional para fortalecer o combate ao narcotráfico e ao comércio ilegal de madeira. A estratégia busca acompanhar a evolução das organizações criminosas, que vêm utilizando métodos cada vez mais sofisticados para esconder drogas em cargas destinadas à exportação, como madeira, papel, bebidas e até móveis.
Nos últimos meses, diversas operações resultaram em apreensões expressivas em portos e aeroportos brasileiros. Entre os principais casos estão a retenção de 75 toneladas de madeira extraída ilegalmente no Porto do Pecém (CE), a apreensão de 156 quilos de cocaína escondidos em madeira no Porto de Paranaguá (PR), 1,5 tonelada da droga em uma carga de papel no Porto de Santos (SP), além de cocaína líquida encontrada em garrafas de refrigerante no complexo portuário de Itajaí e Navegantes (SC). Em outra ação, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte registrou a maior apreensão de cocaína já realizada em aeroportos brasileiros, com cerca de 1,2 tonelada do entorpecente escondida em móveis.
Segundo o órgão, o enfrentamento ao crime organizado também envolve tecnologias para identificar formas de ocultação, como a chamada “cocaína negra”, mistura desenvolvida para dificultar a detecção por cães farejadores e testes convencionais. Além disso, a Receita utiliza sistemas de gestão de risco e compartilha informações com autoridades nacionais e internacionais para selecionar cargas suspeitas.
A instituição também esclareceu detalhes da Operação Timber Shield, realizada em parceria com agências de outros países. Embora testes preliminares tenham indicado possível presença de drogas em uma carga de madeira, exames periciais concluídos em parte das amostras deram resultado negativo, enquanto outras análises ainda seguem em andamento. A Receita reforçou que a verificação de suspeitas faz parte dos protocolos de fiscalização e reiterou o compromisso de manter ações rigorosas para proteger o comércio exterior e impedir o uso das cadeias logísticas pelo crime organizado.


