Uma onça-pintada monitorada por pesquisadores percorreu 2.122 quilômetros durante um movimento de dispersão entre áreas do Cerrado e da Amazônia. A distância supera com ampla margem o recorde de aproximadamente 120 quilômetros conhecido até então para a espécie e revela uma capacidade de deslocamento que não havia sido documentada.
O macho, chamado Gaspar pela equipe científica, foi capturado em 11 de novembro de 2024. O animal tinha cerca de 8 anos, pesava 92 quilos e recebeu uma coleira com GPS antes de ser solto. Ao longo de 381 dias, o equipamento registrou 5.050 posições.
A média diária calculada foi de 9,76 quilômetros, embora a rota tenha variado conforme o relevo, os rios e a disponibilidade de áreas naturais. O deslocamento ocorreu na região do Araguaia, um corredor que liga os dois grandes biomas brasileiros.
Aproximadamente 70% do trajeto passou por unidades de conservação, reservas legais ou outras áreas protegidas. Os registros indicam a presença do animal em uma paisagem conectada por 57 territórios de proteção, mostrando como a continuidade de ambientes naturais pode permitir movimentos de longa distância.
O estudo foi publicado na revista científica Ecology por uma equipe brasileira e internacional liderada pelo Instituto Onça-Pintada. A localização detalhada do percurso não foi divulgada, uma medida adotada para proteger o animal e evitar riscos ligados à caça ou à aproximação humana.
A última transmissão da coleira ocorreu em 27 de novembro de 2025. Os pesquisadores não confirmaram se o equipamento deixou de funcionar ou se houve outra causa para a interrupção. O destino de Gaspar permanece desconhecido, mas os dados já oferecem novas pistas sobre dispersão, conservação e a necessidade de corredores entre áreas protegidas.


