A chamada fuga de cérebros atingiu uma parcela pequena dos profissionais que concluíram doutorado no Brasil na última década. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que apenas 1,2% dos 254,9 mil doutores titulados no país entre 2013 e 2024 declaravam residência no exterior em março de 2025.
O grupo era formado por 3.145 pessoas. Desse total, 20% viviam nos Estados Unidos, 8,9% na Colômbia, 7,9% na Alemanha, 7,7% no Canadá e 5,4% na França. Quase um terço dos emigrantes, no entanto, era composto por estrangeiros que vieram estudar no Brasil e depois retornaram ao país de origem.
Para chegar aos resultados, o economista Daniel Gama e Colombo cruzou a relação de doutores titulados, mantida pela Capes, com o endereço informado no Cadastro de Pessoas Físicas da Receita Federal. O método permitiu observar onde esses profissionais residiam, mas o recorte não abrange brasileiros que fizeram o doutorado fora do país nem pessoas com endereço desatualizado.
A saída foi mais frequente entre doutores das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática e aumentou conforme a nota do programa de pós-graduação. Nos cursos avaliados com conceito 7, a proporção de residentes no exterior chegou a 2,4%, contra 0,6% entre os formados em programas de conceito 2 ou 3.
Os doutores que deixaram o Brasil também eram, em média, mais jovens. A idade média do grupo no exterior era de 39,8 anos, diante de 42,7 anos entre os que permaneceram no país. As mulheres representavam 48,8% dos emigrantes e 54,7% dos residentes no Brasil.
O resultado estatístico não encerra o debate sobre a carreira científica. Outro levantamento da Unicamp, com 1,2 mil pesquisadores brasileiros em 42 países e um recorte mais amplo, encontrou mais de 70% sem planos de retorno. Como as duas pesquisas usam públicos e métodos diferentes, os números não podem ser comparados diretamente.
O estudo do Ipea sugere que a maior parte do investimento feito na formação de doutores continua no país, mas também levanta uma hipótese menos favorável: a taxa baixa pode refletir dificuldade de inserção internacional. Para especialistas, políticas de conexão com pesquisadores no exterior e melhores oportunidades de trabalho no Brasil seguem essenciais para aproveitar essa mão de obra altamente qualificada.


