O governo dos Estados Unidos e a CIA tentam identificar uma autoridade cubana capaz de conduzir uma eventual transição política em Havana. A busca procura um perfil pragmático, disposto a negociar mudanças econômicas e uma aproximação com Washington, segundo o The New York Times.
A referência citada por integrantes do governo norte-americano é Delcy Rodríguez, que se tornou interlocutora dos Estados Unidos na Venezuela. Em Cuba, porém, avaliações de inteligência indicam que há poucos dirigentes com influência, autonomia e disposição para assumir papel semelhante.
Entre os nomes examinados estão o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, o general Raúl G. Rodríguez Castro e o ministro do Interior, Lázaro Alberto Álvarez Casas. A inclusão em análises norte-americanas não significa que qualquer um deles tenha aceitado participar de uma transição ou romper com o governo atual.
Washington pressiona Cuba a liberalizar setores da economia, abrir espaço para empresas dos Estados Unidos, comprar petróleo norte-americano e reduzir a presença de agentes russos e chineses. O governo cubano, por sua vez, trata a iniciativa como interferência em assuntos internos e mantém a estrutura de poder do Partido Comunista.
A procura revela que os Estados Unidos estudam cenários para o período posterior à atual geração de líderes cubanos, mas ainda não encontraram um interlocutor claro. A falta de um nome consensual e o forte controle exercido pelo aparato estatal tornam qualquer transição incerta e potencialmente instável.


