Uma nova onda de confrontos no Iêmen elevou o risco de retomada em larga escala da guerra civil. Forças ligadas ao governo iniciaram uma contraofensiva depois de ataques dos houthis nas províncias de Marib e Hadramout.
Pelo menos 17 soldados morreram nos combates, segundo informações reunidas pelo The New York Times. Ataques contra bairros civis e um acampamento de deslocados também mataram duas pessoas, ampliando o temor de que a população volte a ser atingida diretamente.
A trégua negociada em 2022 reduziu de forma importante os confrontos entre os houthis, apoiados pelo Irã, e o governo reconhecido internacionalmente. Ela nunca se transformou em um acordo de paz definitivo. Frentes permaneceram armadas, e disputas locais continuaram sem solução.
Uma ruptura aberta teria consequências além das fronteiras do país. O Iêmen fica ao lado de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Ataques na região já afetaram o transporte internacional e obrigaram navios a fazer trajetos mais longos.
O maior impacto, porém, recairia sobre os iemenitas. Anos de guerra destruíram serviços públicos, deslocaram milhões de pessoas e criaram uma das mais graves crises humanitárias do planeta. A escalada torna mais urgente a retomada de negociações capazes de preservar a trégua e impedir um novo ciclo de violência.


