Os ataques contra instalações nucleares do Irã atrasaram o programa do país, mas não eliminaram sua capacidade de reconstrução. Essa é a avaliação de especialistas e autoridades ouvidos pelo The New York Times, num cenário em que as inspeções internacionais continuam bloqueadas.
Antes do conflito, a Agência Internacional de Energia Atômica estimava que o Irã possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. Em tese, essa quantidade poderia fornecer material para nove ou dez armas se passasse por enriquecimento adicional. O estoque não equivale a bombas prontas e sua localização exata permanece incerta.
As instalações de Natanz e Fordo sofreram danos importantes. Parte do material armazenado em Isfahan, no entanto, pode ter sobrevivido. Como Teerã impediu o acesso de inspetores da agência da ONU, não existe uma verificação independente completa sobre as perdas, a transferência de equipamentos ou o destino do urânio.
Especialistas calculam que, se não houver novos obstáculos, o Irã poderá reconstruir etapas do programa e produzir material para uma arma em menos de um ano. A criação de um dispositivo nuclear utilizável exigiria outras etapas técnicas e uma decisão política que o governo iraniano afirma não ter tomado.
O quadro reforça a importância de inspeções e de um acordo diplomático. Sem acesso aos locais atingidos, governos precisam trabalhar com imagens de satélite, sinais de inteligência e estimativas. Isso amplia a margem de erro e o risco de novas ações militares baseadas em informações incompletas.


