A reprodução assexuada pode ter retardado a diversificação dos primeiros animais por milhões de anos. A conclusão vem de um estudo sobre fósseis do período Ediacarano, de cerca de 574 milhões de anos, publicado na revista Nature Ecology and Evolution.
A equipe analisou comunidades fossilizadas de Mistaken Point, no Canadá, onde organismos como Fractofusus se multiplicavam por estruturas semelhantes aos estolões das plantas. Esse mecanismo produzia descendentes geneticamente muito parecidos e restringia a dispersão a distâncias curtas.
Modelos elaborados pelos pesquisadores indicam que a transição para a reprodução sexual coincidiu com um aumento rápido da diversidade e da ocupação de novos ambientes. A mistura de material genético teria ampliado a capacidade de adaptação quando os animais passaram de águas profundas e estáveis para regiões rasas sujeitas a marés, tempestades e mudanças de temperatura e nutrientes.
O estudo não afirma que a reprodução sexual tenha sido a única causa da explosão de formas animais. Mudanças ambientais e competição também participaram do processo. A pesquisa, porém, oferece uma explicação para o longo período em que a vida animal permaneceu relativamente pouco diversa antes da expansão observada no fim do Ediacarano e no Cambriano.


