O avanço do agronegócio deslocou parte importante dos ganhos de produtividade do Brasil para estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Municípios ligados às novas fronteiras agrícolas passaram a crescer mais rapidamente do que antigos polos industriais do Sul e do Sudeste.
Entre 2002 e 2019, a produtividade brasileira aumentou 18,7%. No agronegócio, o avanço chegou a 80%, enquanto a indústria registrou crescimento de apenas 5,4% no mesmo período.
O Piauí liderou a expansão estadual, com alta de 103%, seguido por Maranhão, com 86%, Tocantins, com 70%, e Mato Grosso, com 56%. São Paulo, principal centro industrial do país, avançou somente 1,2%.
A mudança acompanha a perda de participação da indústria de transformação, historicamente concentrada no Sudeste. Ao mesmo tempo, cidades agrícolas receberam investimentos em armazenagem, logística, serviços e construção, alterando o mapa econômico nacional.
O dinamismo do interior não resolve sozinho os desequilíbrios brasileiros. A dependência de commodities, a carência de infraestrutura e a baixa diversificação produtiva continuam limitando o desenvolvimento. O crescimento precisa ser convertido em renda, serviços públicos e oportunidades permanentes para a população local.
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