O PT afirma que a perícia privada apresentada como prestação de contas de Dark Horse não esclarece quem investiu no fundo usado para financiar o filme nem qual foi a destinação dos aportes de Daniel Vorcaro. O questionamento consta da representação de 2 de setembro de 2026 ao Conselho de Ética do Senado, que contesta as explicações de Flávio Bolsonaro sobre a produção.
Na peça assinada pelo presidente do partido, Edinho Silva, a legenda contrapõe a promessa de transparência feita pelo senador à ausência, segundo a acusação, de documentos centrais para conferir a operação. O texto cita o contrato de financiamento, a planilha integral de gastos e a identidade dos demais investidores.
A representação informa que o laudo encomendado pela produtora declarou despesas de aproximadamente R$ 75 milhões, das quais mais de R$ 54 milhões teriam ocorrido nos Estados Unidos. Também registra que os recursos foram atribuídos ao Havengate Development Fund LP. Para o PT, a indicação do fundo e dos totais gastos não responde às perguntas sobre quem fez os aportes e quem recebeu os pagamentos.

O partido sustenta que a perícia não individualizou os investidores nem esclareceu a destinação dos valores relacionados a Vorcaro. Essa avaliação é uma alegação da representação partidária, submetida ao Senado, e não uma conclusão pericial da Polícia Federal ou uma decisão do Conselho de Ética.
As críticas alcançam declarações públicas de Flávio. Segundo o documento, em entrevista de 28 de agosto o senador tratou as informações do caso como já divulgadas e, em 1º de setembro, atribuiu à produtora a responsabilidade de explicar os valores. A legenda questiona essa postura diante dos registros de participação do parlamentar na negociação e nas cobranças dos aportes.
O ponto financeiro exige distinguir investimento contratado, dinheiro remetido a um fundo e despesas atribuídas à produção. Esses registros descrevem etapas diferentes. O PT pede documentos que permitam acompanhar o percurso completo e conferir as explicações apresentadas, em vez de encerrar o exame nos valores consolidados do laudo.
Flávio sustenta que o filme recebeu financiamento privado e nega irregularidades. A produtora também defende a origem privada dos recursos. A contestação do PT integra o pedido de perda do mandato por suposta quebra de decoro; o documento apresentado não contém decisão de admissibilidade ou de mérito do Conselho de Ética.


