A decisão de Flávio Bolsonaro de viajar aos Estados Unidos depois da derrota na eleição presidencial abriu uma fissura entre apoiadores militares do bolsonarismo. Oficiais ouvidos sob reserva comparam a saída do candidato ao gesto de um comandante que abandona sua tropa, sem reconhecer o resultado nem prestar contas aos eleitores que o apoiaram. As avaliações são de integrantes e ex-integrantes das Forças Armadas, não uma posição institucional das corporações.
Nesse ambiente, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ganhou espaço como possível representante da direita na disputa presidencial de 2030. Capitão da reserva do Exército, ele passou pela Academia Militar das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia. Sua trajetória pública e a experiência à frente de São Paulo são citadas por interlocutores militares como vantagens políticas. A aproximação, porém, ainda é uma expectativa: não há candidatura anunciada nem rompimento formal de Tarcísio com a família Bolsonaro.


