O Brasil registrou 2.261.055 casos de estelionato em 2025, o equivalente a mais de quatro ocorrências por minuto. O dado faz parte do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e confirma o terceiro ano consecutivo em que o País supera a marca de 2 milhões de registros desse tipo de crime.
A taxa nacional chegou a 1.059,4 casos de estelionato para cada 100 mil habitantes, alta de 2,7% em relação ao ano anterior. São Paulo aparece com o maior indicador do País, com 1.808,3 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, com 1.717.
Os golpes têm formatos variados e vão desde falsas centrais telefônicas, em que criminosos se passam por instituições bancárias, até abordagens feitas por WhatsApp e outros canais digitais com apoio de inteligência artificial. O avanço mostra uma mudança no perfil da criminalidade, com maior presença de fraudes digitais enquanto delitos tradicionais de rua apresentam queda.
O levantamento aponta que o crescimento dos estelionatos ocorre mesmo em um cenário de redução de crimes como mortes violentas intencionais e roubos. Uma exceção é o furto de celulares, que subiu 0,9% e chegou a 483,5 mil casos no ano passado.
A relação entre celulares furtados ou roubados e crimes virtuais preocupa especialistas. Pesquisa anterior do Fórum mostrou que uma pessoa que tem o aparelho subtraído possui cerca de 3,7 vezes mais chances de sofrer um crime virtual, já que o celular concentra acesso a contas bancárias, documentos, contatos e informações pessoais.
Outro estudo do Fórum, em parceria com o Datafolha, apontou que ser vítima de golpe com perda de dinheiro pela internet ou pelo celular é o medo mais frequente entre os brasileiros. A mesma pesquisa estimou que 15,8% da população, cerca de 26,3 milhões de pessoas, já vivenciaram esse tipo de situação.
Especialistas avaliam que os números oficiais podem estar abaixo da realidade, já que muitas vítimas não registram ocorrência após perder dinheiro em golpes. O estelionato, hoje, é tratado como um dos principais crimes patrimoniais do País e exige respostas integradas entre polícia, bancos, plataformas digitais e órgãos de segurança.
Com o avanço das fraudes, o desafio passa a ser estruturar mecanismos de prevenção, resposta rápida e bloqueio de transações suspeitas. A experiência de outros países, como Singapura, é citada como exemplo por reunir, em um centro operacional permanente, policiais, bancos e plataformas digitais para enfrentar golpes em tempo real.


