Maioria apoia classificar PCC e CV como terroristas, mas rejeita ação dos EUA em solo brasileiro

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A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas encontra respaldo entre os brasileiros, mas a ideia de uma atuação americana direta no país segue sendo amplamente rejeitada. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, revelando um retrato de apoio parcial à medida e, ao mesmo tempo, forte resistência a qualquer sinal de ingerência externa.

Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados concordam total ou parcialmente com o enquadramento das facções como terroristas, nos moldes adotados pelos Estados Unidos. Por outro lado, 74% rejeitam a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes desses grupos em território brasileiro sem autorização do governo nacional.

O resultado expõe um sentimento duplo no debate público. De um lado, cresce a percepção de que o avanço do crime organizado exige respostas mais duras e mais simbólicas. De outro, permanece firme a defesa de que o combate às facções deve ser conduzido pelo próprio Brasil, sem espaço para tutela externa em tema que toca diretamente a soberania nacional.

A pesquisa também mostra que o assunto tem forte potencial político. Para uma parcela importante da população, a discussão sobre facções deixou de ser apenas um tema de segurança pública e passou a ser também um campo de disputa eleitoral, ideológica e narrativa. Nesse ambiente, o apoio ao rótulo de terrorismo não significa automaticamente aval à forma como os Estados Unidos decidiram entrar no debate.

Outro dado relevante é que 54% afirmam que Flávio Bolsonaro teve influência na decisão americana de classificar PCC e CV como terroristas. Entre os que enxergam essa influência, prevalece a avaliação negativa para o Brasil, sinalizando que a tentativa de capitalizar politicamente o episódio pode ter efeito ambíguo.

O levantamento ainda aponta que homens, evangélicos e eleitores identificados com Jair Bolsonaro tendem a concordar mais com a classificação das facções como terroristas. Ainda assim, mesmo entre grupos mais simpáticos à medida, a resistência a uma atuação dos EUA dentro do Brasil segue como elemento central do debate.

No fim, o recado da pesquisa é claro: o brasileiro pode até apoiar mais rigor contra o crime organizado, mas não parece disposto a trocar esse endurecimento por uma intervenção estrangeira disfarçada de combate ao terrorismo.

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