Sanção dos EUA faz PF acelerar operação contra núcleo financeiro do PCC

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A Polícia Federal acelerou a Operação Exchange após o anúncio das primeiras sanções dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas com supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital. A ação foi deflagrada para atingir o núcleo financeiro da facção e resultou em 11 prisões e no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão.

Segundo a investigação, o principal alvo é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder e coordenador logístico de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A PF afirma que ele montou uma estrutura com 73 empresas de fachada para ocultar e circular recursos do tráfico de drogas, especialmente de haxixe. Até a noite de ontem, Shimada seguia foragido.

A operação também mirou a empresária Stella Stefanie Nunes, presa na fase ostensiva. Ambos foram os primeiros brasileiros sancionados pelos EUA depois de o governo Donald Trump classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. De acordo com a PF, a divulgação das sanções acabou prejudicando o trabalho de campo e precipitou a ida dos agentes às ruas.

Os investigadores dizem ter encontrado indícios robustos de movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Shimada. Entre os elementos reunidos estão relatórios de inteligência financeira, laudos contábeis e registros de operações atribuídas a codinomes usados pelo empresário, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.

A PF sustenta ainda que as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição foram usadas para movimentar, ocultar e dissimular recursos da facção. A Hi Quality, segundo a investigação, não tinha empregados registrados, mas apareceu em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões, enquanto o grupo também atuava fortemente com criptomoedas.

Por decisão da 7.ª Vara Federal Criminal em São Paulo, as 73 empresas ligadas ao esquema foram bloqueadas, assim como bens, direitos e valores até o limite de R$ 10,386 bilhões. A operação mostra que, após a pressão internacional, o foco das autoridades brasileiras se voltou para a engrenagem financeira que sustenta a expansão do PCC, atingindo não apenas integrantes da facção, mas também seus operadores empresariais e mecanismos de lavagem.

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