A influenciadora digital Virginia Fonseca, que possui mais de 56 milhões de seguidores, utilizou suas redes sociais para incentivar apostas na seleção de Cabo Verde na partida contra a Argentina, válida pela Copa do Mundo. Em vídeo gravado no interior de seu jatinho particular, ela promoveu a plataforma Blaze. O confronto esportivo, no entanto, terminou com vitória argentina por 3 a 2, decidida na prorrogação.
A recomendação da influenciadora joga luz sobre o modelo de negócios firmado entre criadores de conteúdo e empresas de apostas. Os contratos do setor costumam prever duas formas de remuneração: um valor fixo pago por cada novo usuário cadastrado por meio de um link exclusivo, e o chamado revenue share (divisão de receitas). Neste segundo formato, o influenciador recebe um percentual sobre o faturamento da plataforma, o que, na prática, significa lucrar com as perdas financeiras de seus próprios seguidores, gerando um forte conflito de interesses.
Essa dinâmica comercial entrou na mira das autoridades. A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon), vinculada ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), solicitou cópias dos contratos publicitários da Blaze com Virginia e outras figuras públicas, como Neymar Jr., Lucas Lira e Bruna Sunaika. O órgão apura o uso de estratégias de marketing potencialmente abusivas, a exemplo da promessa de “renda extra”, que pode induzir o público a falsas expectativas de ganho financeiro fácil.
Embora Virginia Fonseca não seja alvo direto da investigação, a análise de seus contratos é considerada uma peça essencial pelo Ministério Público para compreender a engrenagem desse mercado bilionário no Brasil. O inquérito civil do MPDFT também é embasado por um relatório técnico que reúne mais de 42 mil reclamações contra a Blaze, incluindo graves denúncias de retenção indevida de valores pertencentes aos usuários.


