O crescimento das apostas online e a intensa divulgação das plataformas de bets têm despertado preocupação entre defensores públicos e especialistas, que alertam para os impactos financeiros e psicológicos provocados pelo hábito de apostar. O tema foi debatido nesta terça-feira (7) durante reunião conjunta das comissões de Direitos Humanos e de Assuntos Sociais do Senado, que discutiram os efeitos da popularização dos jogos de azar no país.
Representantes das Defensorias Públicas destacaram que a publicidade das bets está presente em diversos meios, como televisão, eventos esportivos, redes sociais e aplicativos, incentivando a ideia de que as apostas podem representar uma fonte de renda. Segundo os especialistas, essa mensagem contribui para o aumento do superendividamento, especialmente entre pessoas de baixa renda, além de impulsionar a procura por atendimento em saúde mental. Entre as propostas apresentadas está a adoção de regras mais rígidas para a publicidade das plataformas, em moldes semelhantes às restrições impostas ao cigarro.
Dados apresentados durante o debate reforçam a dimensão do problema. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que os brasileiros gastaram mais de R$ 30 bilhões por mês com plataformas de apostas entre janeiro de 2023 e março de 2026. Ainda de acordo com a entidade, esse cenário pode ter levado cerca de 270 mil famílias à inadimplência severa, além de provocar perdas estimadas em R$ 143 bilhões para o comércio varejista. Os participantes também defenderam o fortalecimento da rede pública de saúde para oferecer atendimento especializado às pessoas afetadas pela dependência em jogos.


