De herói a vilão a herói de novo: os EUA vencem a Bósnia com dez em campo — e a Copa do anfitrião ganhou um problema chamado Balogun

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O anfitrião segue vivo — e do jeito mais dramático que o roteiro permitia. Os Estados Unidos venceram a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0, em Santa Clara, e avançaram às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, mas ninguém saiu do estádio falando apenas do placar. A noite teve gol e expulsão do mesmo jogador, um golaço de falta para resolver na inferioridade numérica e uma consequência que muda o próximo capítulo: Folarin Balogun, o artilheiro da equipe, está fora do duelo das oitavas contra a Bélgica.

O time de Mauricio Pochettino provou que tem nervo para o mata-mata. Jogou meia hora com um a menos, contra um adversário desesperado, e não apenas segurou: ampliou. Mas provou, também, que sua Copa pode ser sabotada por detalhes — e o detalhe desta quarta atende pelo nome do seu camisa 20.

Balogun decide… e complica

Por 64 minutos, Folarin Balogun foi o dono do jogo. O atacante já tinha acertado o travessão, tido um gol anulado por impedimento e enfim abriu o placar aos 44 do primeiro tempo, aproveitando uma saída de bola errada da Bósnia: Tillman serviu, o zagueiro Radeljic escorregou no carrinho, e Balogun finalizou sem chance para Vasilj, comemorando à la LeBron James com o gesto do “silenciador”. Foi o terceiro gol dele no torneio, consolidando o posto de artilheiro e principal arma ofensiva da equipe.

Aí veio a mancha. Aos 18 do segundo tempo, numa dividida com Muharemovic, Balogun afundou a trava da chuteira no tornozelo do zagueiro bósnio. O árbitro brasileiro Raphael Claus foi chamado ao VAR, reviu o lance e não teve dúvida: vermelho direto. Pisão aparentemente sem intenção, mas de forte impacto — o bósnio ficou minutos no gramado. De herói absoluto a vilão em um lance, Balogun deixou os EUA com dez por meia hora e, pior, deixou a si mesmo fora das oitavas por suspensão. Para um time que depende dos gols dele, é uma baixa enorme na partida mais difícil da campanha até aqui.

Tillman, o homem que resolveu duas vezes

Se Balogun foi o enredo, Malik Tillman foi a solução. O volante já tinha dado o passe do primeiro gol e, com o time acuado na inferioridade numérica e a Bósnia crescendo, apareceu para matar o jogo da forma mais bonita possível: aos 36 do segundo tempo, cobrou falta por cima da barreira, no capricho, sem chance para Vasilj. Um golaço de bola parada que valeu a classificação e transformou a reta final num protocolo.

Foi o gol da tranquilidade e o retrato da noite americana: quando o plano A saiu de campo expulso, o plano B estava à altura. Com dez em campo, os EUA souberam sofrer, cederam a bola, apostaram na organização — e ainda quase fizeram o terceiro num gol anulado de Pulisic, em linda tabela com McKennie e o próprio Tillman.

A Bósnia teve volume, mas nunca teve pontaria

Do lado bósnio, fica a frustração de uma despedida sem gols. A seleção dos Bálcãs até assustou no início, com Demirovic exigindo defesa de Freese e Alajbegovic quase marcando um gol olímpico, e teve meia hora inteira de superioridade numérica para buscar o empate. Mas faltou o essencial: pontaria. Mahmic, a joia que trocou de nacionalidade um mês antes da Copa, arriscou de longe duas vezes na reta final e mandou perto, mas para fora. Dzeko, a lenda de 40 anos, saiu cedo sentindo a perna, num adeus melancólico ao que provavelmente foi sua última Copa.

No fim, a Bósnia se despede com a sensação de que faltou repertório para transformar posse e ímpeto em perigo real. Ter um homem a mais por 30 minutos num mata-mata e não levar o goleiro adversário a uma defesa difícil sequer é o resumo da eliminação.

Oitavas: o anfitrião contra a Bélgica — e sem o artilheiro

O prêmio pela classificação é um duelo de peso: os Estados Unidos encaram a Bélgica no dia 6 de julho, em Seattle, contra o time que acabou de protagonizar uma virada épica sobre o Senegal, de 2 a 0 para 3 a 2, empurrado por Lukaku e Tielemans. Será, na prática, um jogo com clima de decisão continental: o anfitrião embalado pela torcida contra uma seleção europeia experiente e acostumada a sofrer.

E os EUA chegarão a esse jogo com um desfalque autoinfligido: sem Balogun, suspenso, Pochettino terá que reinventar seu ataque no momento mais importante do Mundial. Pepi, que entrou na reta final, desponta como opção natural, mas a diferença de momento é evidente.

A campanha do anfitrião segue de pé, com méritos reais: um time competitivo, com Tillman inspirado, Pulisic acionando o jogo e uma solidez que já eliminou o sonho bósnio. Mas a Copa em casa, aquela que os americanos tratam como projeto de década, vai enfrentar na Bélgica seu primeiro teste de verdade. E vai enfrentá-lo pagando o preço de um pisão de 18 segundos de VAR. No futebol, como Balogun aprendeu da pior forma, a linha entre herói e problema é exatamente dessa espessura.

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