Eles fizeram muita falta: as ausências de Rodrygo e Estêvão que pesaram na queda do Brasil

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Toda eliminação vem acompanhada de perguntas, e uma delas assombrou a Seleção Brasileira do primeiro ao último minuto nesta Copa do Mundo de 2026: e se eles estivessem lá? Rodrygo e Estêvão, dois dos jogadores mais decisivos do ciclo, ficaram fora do Mundial por lesões sofridas às vésperas da convocação. O Brasil caiu para a Noruega nas oitavas de final apagado, sem criação e sem faro de gol — exatamente as qualidades que a dupla ausente poderia ter oferecido. Difícil não fazer a conta.

Não se trata de buscar desculpa para o fracasso, que tem raízes mais profundas. Mas ignorar o tamanho dessas baixas seria desonestidade. O Brasil chegou aos Estados Unidos desfalcado justamente nos setores que mais sentiu falta em campo: a criação no meio e a mobilidade no ataque. E os dois nomes que poderiam preencher essas lacunas estavam em casa, em recuperação.

Rodrygo: a criação que fez falta o tempo todo

A ausência de Rodrygo talvez seja a mais estrutural de todas. O atacante do Real Madrid sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco lateral do joelho direito em março, foi operado e teve recuperação estimada em pelo menos seis meses — o que inviabilizou por completo qualquer chance de disputar a Copa. Fim de papo antes mesmo de a lista sair.

O problema é o que ele levou embora junto. Rodrygo é um jogador de ligação, capaz de atuar por dentro e pelos lados, de associar-se no último terço, de dar sentido às jogadas em espaços curtos — precisamente o tipo de futebol que faltou a um Brasil que passou o torneio dependente de lampejos individuais de Vini Jr e sem ninguém para conectar o meio ao ataque. Num Mundial em que a Seleção repetidamente esbarrou em defesas fechadas, sem repertório para furá-las, a falta de um criador do nível de Rodrygo doeu em cada jogo travado.

Estêvão: o artilheiro do ciclo que ficou pelo caminho

Se Rodrygo era a ligação, Estêvão era a promessa de gol e ousadia. Aos 19 anos, o atacante do Chelsea vinha sendo o principal artilheiro do ciclo sob o comando de Carlo Ancelotti, a joia que representava o futuro imediato da Seleção. Chegaria à Copa embalado, com a coragem e o desequilíbrio da juventude — o tipo de jogador que aparece para resolver quando o coletivo emperra.

Mas uma lesão muscular de grau quatro na posterior da coxa direita, sofrida em abril numa partida contra o Manchester United, encerrou o sonho. Estêvão até tentou um tratamento especial para acelerar a recuperação, mas Ancelotti não quis correr o risco e sequer o incluiu na pré-lista. Ficou a imagem do que poderia ter sido: um Brasil com mais uma opção de drible, de finalização, de imprevisibilidade num ataque que, sem ele, se mostrou previsível e sem alternativas quando Vini era neutralizado.

O ataque que sobrou e o que faltou

Some as duas ausências e o retrato fica claro. O Brasil foi à Copa com um ataque desfalcado de dois dos seus nomes mais criativos e apostou fichas em soluções que não renderam o esperado. Igor Thiago, Rayan e Endrick tiveram oportunidades, mas nenhum deles entrega o que Rodrygo e Estêvão entregariam em criação e desequilíbrio. E, com Neymar em condição física precária e limitado a poucos minutos, a Seleção ficou órfã de quem pudesse inventar num mata-mata.

Contra a Noruega, isso ficou escancarado. O Brasil criou pouco, dependeu de pênaltis e de jogadas individuais, e viu Haaland resolver do outro lado enquanto seu próprio ataque não encontrava caminhos. Um time com Rodrygo ligando o jogo e Estêvão atacando os espaços teria, no mínimo, mais ferramentas para reagir. Não é garantia de classificação — é a diferença entre ter e não ter opções quando o plano principal falha.

O que fica

O futebol é feito também do que não aconteceu, e a Copa de 2026 vai ficar marcada, para o torcedor brasileiro, por essa dúvida que nunca terá resposta. Rodrygo e Estêvão não escolheram ficar de fora; foram vítimas de lesões graves num momento cruel, parte de uma verdadeira epidemia de contusões que tirou craques de várias seleções na reta final da temporada europeia. Mas isso não diminui o tamanho do vazio que deixaram.

Fica a sensação incômoda de um Brasil que se apresentou ao Mundial mais fraco do que poderia ser, privado de dois talentos que combinavam exatamente com aquilo que faltou em campo. Eles fizeram falta — muita falta. E, numa eliminação decidida nos detalhes e na ausência de repertório ofensivo, a diferença que os dois poderiam ter feito vai alimentar, por muito tempo, o eterno jogo do “e se”. A torcida que se console com a certeza de que, nos próximos anos, essa dupla ainda terá muito a dar à Seleção. Não foi desta vez. E a falta que fizeram vai demorar a passar.

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