O Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos pela primeira vez em três anos, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. As decisões colocaram as duas maiores economias do continente em direções opostas na condução da política monetária.
Nos Estados Unidos, a taxa subiu para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. O aumento de 0,25 ponto foi adotado depois que a inflação anualizada chegou a 3,4% em agosto, acima da meta oficial de 2% perseguida pelo banco central americano.
Foi a primeira elevação sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio. O órgão justificou a medida como necessária para devolver a inflação à meta e preservar a estabilidade de preços. Analistas passaram a considerar a possibilidade de pelo menos outro aumento ainda em 2026.
A decisão contrariou o presidente Donald Trump, que voltou a defender juros de 1% ou menos. Warsh evitou responder diretamente às críticas e reforçou o compromisso do banco central com o controle da inflação.
Quinto corte seguido no Brasil
No Brasil, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo e a última reunião do Copom antes das eleições presidenciais.
O colegiado não antecipou o tamanho nem a direção do próximo movimento. No comunicado, afirmou que o ambiente permanece incerto e que a extensão do ciclo de ajuste será definida de acordo com os próximos dados, especialmente a trajetória da inflação e os efeitos da política fiscal.
A diferença entre as decisões afetou os mercados financeiros. A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos aumentou a aversão ao risco e pressionou as bolsas americanas. No Brasil, o Ibovespa também fechou em queda, influenciado ainda pela desvalorização das ações da Petrobras.
Juros maiores nos Estados Unidos tendem a atrair recursos para ativos americanos, considerados mais seguros, e podem reduzir o fluxo de capital para países emergentes. No Brasil, mesmo com o corte, a Selic continua em nível elevado e mantém o crédito caro para famílias e empresas.


