O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 com R$ 525,1 bilhões voltados ao financiamento da agricultura empresarial, em mais uma rodada do principal programa de crédito do setor rural. Somado aos R$ 97,3 bilhões já anunciados para a agricultura familiar, o volume total reservado para o novo ciclo chega a R$ 622 bilhões.
A nova etapa voltada a médios e grandes produtores representa um aumento em relação ao plano anterior, que previa R$ 516 bilhões. Ainda assim, a alta foi considerada modesta diante da inflação acumulada no período. O reajuste ficou em 1,76% de um ano para o outro, abaixo da inflação de 6,76% entre julho de 2025 e maio deste ano, segundo a referência citada pela reportagem.
Do total anunciado para a agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões serão destinados a custeio e comercialização, cobrindo despesas como compra de insumos, manutenção da produção e necessidades operacionais do campo. Outros R$ 140,2 bilhões irão para investimentos, contemplando áreas como irrigação, armazenagem e modernização da estrutura produtiva.
O governo afirma que o novo plano traz redução nas taxas de juros em linhas estratégicas de crédito. Um dos exemplos citados é o Moderfrota, usado para financiar tratores, colheitadeiras e outras máquinas agrícolas. Também foi anunciada redução de um ponto percentual nos juros para produtores com CAR regular e práticas sustentáveis de produção. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que, mesmo com juros altos no país, houve esforço para reduzir as taxas em diferentes linhas do programa.
A cerimônia, porém, também foi cercada de críticas. Lula participou apenas do anúncio do plano voltado à agricultura familiar, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin representou o governo no lançamento da etapa empresarial. A Frente Parlamentar da Agropecuária criticou a ausência do presidente e também questionou pontos do programa, como a redução de recursos em linhas de investimento e a limitação dos valores equalizados.
Entidades do setor adotaram um tom misto sobre o pacote. A avaliação da indústria de máquinas agrícolas, por exemplo, foi de que o Plano Safra não trouxe avanço expressivo, embora também não tenha decepcionado. Na leitura do segmento, o programa mantém caráter de continuidade, sem alterar de forma relevante o mercado num momento em que o agro ainda enfrenta restrição de crédito, endividamento e pressão por mais investimentos.


