Nova regra do Governo Federal exige merenda mais saudável e amplia compra da agricultura familiar nas escolas

Data:

O Governo do Brasil atualizou as normas para a gestão e oferta da alimentação escolar nas redes públicas com a publicação de nova resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que regulamenta o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 2 de março.

A nova regra estabelece diretrizes para garantir refeições mais saudáveis e adequadas aos estudantes da educação básica em todo o país e torna obrigatórias ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) nas escolas, integradas ao processo de ensino e aprendizagem.

Educação alimentar obrigatória

Entre as principais mudanças está a inclusão da educação alimentar como prática transversal no currículo escolar. A proposta é estimular hábitos saudáveis desde a infância, promovendo a conscientização sobre alimentação equilibrada e qualidade de vida.

A norma também incentiva o uso de hortas escolares e cozinhas como ferramentas pedagógicas, fortalecendo o vínculo entre teoria e prática no ambiente escolar.

Prioridade para alimentos in natura

A resolução determina que pelo menos 85% dos recursos federais destinados à compra de alimentos sejam utilizados na aquisição de produtos in natura ou minimamente processados. A oferta regular de frutas, legumes e verduras passa a ser obrigatória, enquanto alimentos ultraprocessados e produtos com alto teor de açúcar, gordura e sódio deverão ser limitados.

Os cardápios continuam sob responsabilidade de nutricionistas e devem atender às necessidades específicas de cada etapa de ensino, considerando também o período de permanência do aluno na escola (parcial ou integral).

Fortalecimento da agricultura familiar

Um dos pilares da atualização é o incentivo ao desenvolvimento sustentável. Pelo menos 45% dos recursos federais repassados a estados e municípios deverão ser investidos na compra direta de produtos da agricultura familiar.

A normativa estabelece prioridade para:

  • Assentamentos da Reforma Agrária;
  • Comunidades tradicionais indígenas e quilombolas;
  • Grupos formais e informais de mulheres e jovens agricultores.

Como medida de incentivo à equidade de gênero, a resolução determina que, no mínimo, 50% das vendas realizadas por Unidades Familiares de Produção Agrária estejam em nome de mulheres.

Gestão e fiscalização

Estados, municípios e instituições federais mantêm autonomia para gerir o programa, podendo adotar modelos centralizados ou descentralizados de compra. A fiscalização segue sob responsabilidade do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), garantindo o controle social e a participação da comunidade.

A nova regulamentação reforça o papel da alimentação escolar como política pública estratégica para promoção da saúde, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável em todo o país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Projeto prevê documentos públicos em braille para pessoas com deficiência visual

Um projeto em tramitação na Câmara Municipal de Guarujá...

Câmara adia projetos de cadastro para PCD e conforto sensorial para pessoas com TEA

Dois projetos voltados à inclusão de pessoas com deficiência...

Projeto que cria Linha Rosa no transporte público tem votação adiada

A votação do projeto que autoriza a criação da...

Câmara adia votação de projeto sobre cannabis medicinal pelo SUS

A Câmara Municipal de Guarujá adiou a discussão e...