O rastreamento de munições usadas por forças de segurança ajudou a investigar chacinas e execuções que deixaram ao menos 83 mortos no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Ceará e no Pará nos últimos 15 anos. A marcação dos cartuchos contribuiu para investigações que terminaram com a condenação de 22 policiais militares.
O código gravado na munição permite identificar o lote e a instituição compradora. Foi uma das pistas usadas, por exemplo, na investigação do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 2011, e de chacinas em Fortaleza, Belém e na Grande São Paulo. O rastreio não substitui testemunhos, perícias e outras provas, mas pode apontar a origem de um cartucho encontrado na cena do crime.
Essa exigência pode cair caso avance no Senado um trecho do Projeto de Lei 3.723/2019. Flávio Bolsonaro defende o projeto e, ao ser cobrado sobre a retirada da marcação, tratou a discussão como um “detalhezinho”. Para famílias de vítimas e investigadores, a questão é concreta: sem o código, uma pista que já ajudou a responsabilizar autores de mortes pode desaparecer.


