A inadimplência das famílias argentinas atingiu o maior nível em 20 anos em meio ao congelamento de salários, à redução do consumo e ao aumento das tarifas de serviços. Cerca de 21 milhões de pessoas possuem algum tipo de dívida no país.
Segundo o Banco Central argentino, aproximadamente 5,8 milhões de consumidores estão inadimplentes, com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Metade desse grupo já aparece na categoria de dívidas consideradas incobráveis.
A inadimplência bancária das famílias passou de 4,5% para 12,8% entre maio de 2025 e maio de 2026. Em junho, houve apenas uma pequena redução, para 12,7%. Empréstimos pessoais e cartões concentram mais de 70% dos atrasos.
O problema atinge principalmente os jovens. Quase quatro em cada dez argentinos entre 18 e 21 anos não conseguem pagar suas dívidas, e nove em cada dez desse grupo se endividaram antes de conseguir o primeiro emprego formal.
O governo de Javier Milei conseguiu reduzir a inflação anual de mais de 200% para aproximadamente 30% e registrou superávits fiscais. O ajuste, porém, foi acompanhado por cortes, redução de subsídios, paralisação de obras e perda de renda.


