O desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais passou a provocar avaliações na Europa sobre os possíveis efeitos de uma mudança de governo no Brasil. Organizações ambientais e veículos europeus apontam riscos para a proteção da Amazônia, para o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e para a relação diplomática com o continente.
Flávio terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade de vitória do candidato do PL aumentou as projeções sobre uma política externa mais próxima dos Estados Unidos de Donald Trump e menos alinhada às prioridades ambientais defendidas pela União Europeia.
A Fundação Plant-for-the-Planet, sediada na Alemanha, avalia que um novo governo ligado à família Bolsonaro poderia enfraquecer órgãos de proteção florestal. Entre os riscos mencionados estão a redução da criação de áreas protegidas, anistias relacionadas ao desmatamento ilegal e o afastamento do Brasil de programas internacionais de preservação.
A continuidade do Fundo Florestas Tropicais para Sempre também aparece entre as preocupações. A iniciativa foi lançada durante o atual governo para financiar países que mantêm suas florestas preservadas, mas ainda depende de maior adesão e aportes internacionais.
O debate ambiental se conecta diretamente ao acordo União Europeia-Mercosul. O texto inclui compromissos relacionados ao combate ao desmatamento, à proteção de áreas florestais, ao uso de pesticidas e às condições de produção agropecuária. Uma alteração significativa na política ambiental brasileira poderia aumentar a resistência à ratificação do acordo pelo Parlamento Europeu.
A imprensa europeia também relaciona uma eventual vitória de Flávio ao histórico do governo Jair Bolsonaro. Durante a gestão do ex-presidente, o relacionamento do Brasil com países como Alemanha e França enfrentou períodos de forte tensão, sobretudo por causa da Amazônia e das críticas à política ambiental brasileira.
As avaliações representam projeções de entidades e analistas europeus. Flávio ainda não apresentou todos os detalhes de uma eventual política ambiental ou de sua estratégia para o relacionamento com a União Europeia. O rumo dessas agendas dependeria das propostas do candidato, da equipe escolhida e das negociações com o Congresso e com parceiros internacionais.
Imagem de capa gerada digitalmente para fins editoriais.


