Dino abre documentos de investigação sobre Dark Horse e transfere material à PF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) que a Polícia Federal receba celulares, computadores, documentos e os dados extraídos de aparelhos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação relacionada à produção do filme Dark Horse. A decisão também tornou públicos os autos encaminhados pela Justiça paulista ao Supremo.

A ordem consta da Petição 16.669 e alcança material apreendido em junho. Dino atribuiu às autoridades estaduais a entrega dos equipamentos e dos arquivos brutos, com os cuidados legais de preservação das provas, e determinou à direção da PF que tome as providências para o cumprimento imediato.

O ministro autorizou ainda a obtenção de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo a decisão, esses dados poderão confirmar ou afastar caminhos de investigação. A autorização não equivale a uma conclusão sobre a origem ou o destino dos recursos.

Trecho da decisão de Flávio Dino, de 13 de setembro de 2026, na PET 16.669, página 20. Reprodução do documento judicial.
Trecho da decisão de Flávio Dino, de 13 de setembro de 2026, na PET 16.669, página 20. Reprodução do documento judicial.

O processo reúne suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), empresas subcontratadas e repasses públicos. A produtora Karina Ferreira da Gama aparece nos autos por sua atuação no instituto e em empresas ligadas ao audiovisual. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) é citado na apuração sobre emendas e movimentações financeiras.

A decisão descreve pontos de contato entre a investigação estadual sobre contratos municipais e a frente federal relacionada ao filme sobre Jair Bolsonaro. Essa conexão motivou o compartilhamento de provas. Ainda será necessário individualizar as condutas e verificar se houve desvio de recursos, quem teria sido beneficiado e qual seria a participação de cada investigado.

Frias nega irregularidades e contesta o uso da investigação contra ele. Karina sustenta que os recursos empregados no longa eram privados e que sua função na produção não incluía administrar o fundo financiador. As suspeitas reproduzidas na decisão permanecem sujeitas à apuração e ao contraditório.

A retirada do sigilo permite conhecer os fundamentos das medidas e os documentos incorporados aos autos. Ela não representa condenação nem comprova, por si, que dinheiro de emendas tenha financiado o filme. A custódia centralizada na PF deverá permitir o exame conjunto do material recolhido.

Consulte o documento público na íntegra.

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