Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou diretamente Daniel Vorcaro por pagamentos destinados a Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A sequência organizada pelos investigadores vai dos preparativos, no fim de 2024, a pedidos feitos durante as filmagens e a uma manifestação de apoio na véspera da primeira prisão do banqueiro.
A cronologia consta da representação de 8 de julho de 2026 no Inquérito 5.070, tornada pública no conjunto de documentos do caso Master. O material combina conversas, áudios, registros de chamadas e informações financeiras. A PF procura esclarecer a origem dos recursos e a atuação dos envolvidos na negociação.
Em dezembro de 2024, os interlocutores tratavam de um encontro para apresentar o projeto. No dia 10, Flávio informou que Mário Frias, apontado como idealizador da produção, participaria. Mensagens de agendamento demonstram a intenção de reunião; isoladamente, não comprovam que ela ocorreu.

Em janeiro de 2025, uma cobrança atribuída ao senador chegou a Vorcaro por intermédio de Thiago Miranda Silva. Dias depois, o banqueiro orientou que o assunto tivesse prioridade. Já em agosto, os registros incluem contato direto e indicação de deslocamento para um provável encontro.
As dificuldades de pagamento aparecem com mais detalhes em setembro. No dia 8, segundo a transcrição da PF, Flávio manifestou preocupação com compromissos envolvendo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro respondeu que resolveria a situação. Os investigadores também relacionam uma chamada de 16 de setembro à mesma data de uma remessa identificada no relatório financeiro, sem que a coincidência prove, sozinha, uma relação de causa e efeito.
Em 22 de outubro, durante as filmagens, Flávio voltou a pedir uma definição sobre o dinheiro. Conforme a representação, ele afirmou que precisaria buscar alternativa caso o financiamento não fosse realizado. Em novembro, enviou um vídeo sobre o andamento do trabalho e agradeceu a ajuda do banqueiro.
A última mensagem destacada nessa sequência é de 16 de novembro de 2025, quando o senador reiterou apoio a Vorcaro e pediu uma resposta. A prisão ocorreu no dia seguinte, segundo a cronologia policial.
Flávio afirma que atuou na captação de financiamento privado e nega ilegalidade. As conversas documentam cobranças e proximidade, mas a eventual existência de contrapartida ilícita depende de provas adicionais. A representação da PF formula hipóteses de investigação, sem estabelecer culpa criminal.


