O PT apresentou ao Conselho de Ética do Senado um pedido de perda do mandato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta quebra de decoro parlamentar. A representação, datada de 2 de setembro e assinada pelo presidente do partido, Edinho Silva, questiona declarações do senador sobre Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.
A legenda anunciou o protocolo do documento naquela data. A iniciativa é uma acusação partidária submetida ao Senado: sua apresentação não significa que o Conselho tenha reconhecido as alegações, instaurado um processo disciplinar ou decidido aplicar qualquer punição.
O argumento central do PT é que haveria incompatibilidade entre as versões públicas de Flávio e os registros das negociações do filme sobre Jair Bolsonaro. O partido pede que os senadores examinem a conduta do parlamentar sob o ponto de vista do decoro, independentemente da conclusão das investigações criminais.

Entre os pontos citados está a declaração de que o último pagamento de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. A representação contrapõe essa versão a informações sobre uma remessa em setembro daquele ano. Também menciona a participação de Flávio nas cobranças por recursos e a manutenção de contato com o banqueiro após sua prisão.
O texto sustenta que essas explicações deveriam ser confrontadas com contratos, mensagens e informações financeiras. As expressões acusatórias empregadas na peça refletem a posição do PT e não uma conclusão já estabelecida pelo Legislativo ou pelo Judiciário.
Flávio afirma que ajudou a captar investimento privado para o filme e nega ter cometido ilegalidade. O fato de um parlamentar participar de uma negociação particular não demonstra automaticamente quebra de decoro ou crime; a avaliação depende das condutas comprovadas e de sua relação com o mandato.
A própria representação distingue o pedido político e disciplinar da apuração penal. Para justificar o exame, o partido cita casos anteriores analisados pelo Senado, sem que a existência desses precedentes determine o resultado de uma nova representação.
O documento divulgado registra o pedido e seus fundamentos, mas não contém uma decisão de admissibilidade ou de mérito do Conselho de Ética. Qualquer afirmação sobre abertura de processo ou cassação exige um ato próprio do Senado, com observância do direito de defesa.


