Mensagens reunidas pela Polícia Federal descrevem a participação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em contatos de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e em tratativas relacionadas ao escritório Barci de Moraes. O relatório de 27 de agosto de 2026 apresenta episódios de compartilhamento de contato, combinação de reuniões e discussão do prazo contratual.
Em 26 de dezembro de 2023, Faria encaminhou a Vorcaro o contato identificado no aparelho como Alexandre de Moraes. A sequência foi incluída pela PF na reconstrução dos primeiros registros disponíveis da interlocução entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal.
O material examinado também mostra Faria tratando de horários e remarcações de encontros. Em alguns casos, ele encaminha mensagens de terceiros; em outros, responde diretamente a Vorcaro. Essa diferença é relevante: uma mensagem encaminhada não permite presumir a identidade de seu autor quando o próprio relatório não a estabelece.

Em janeiro de 2024, o ex-ministro aparece em uma conversa sobre a duração da contratação do Barci de Moraes pelo Master. Vorcaro pergunta sobre o prazo, durante uma negociação que resultou em um contrato de 36 meses. O relatório relaciona esse diálogo às versões encaminhadas por Viviane Barci de Moraes e aos ajustes discutidos com o advogado Leonardo Palhares.
A participação na organização de encontros ou na troca de informações sobre um contrato não demonstra, isoladamente, corrupção ou favorecimento. É necessário examinar o objeto de cada conversa, os atos decorrentes e eventual vínculo com decisões públicas. O documento não autoriza tratar toda aproximação relatada como uma intervenção irregular.
O escritório Barci de Moraes afirma que prestou os serviços contratados pelo Master e que não atuou em processos do banco no STF. Sobre a presença da identificação de Moraes nos metadados de uma minuta, sustenta que houve consulta de conformidade para verificar possíveis impedimentos.
Não há, no conjunto documental analisado, uma manifestação específica de Faria sobre cada episódio reunido nessa cronologia. O relatório integra uma apuração contestada pela PGR quanto ao procedimento adotado. Seus registros permitem acompanhar a interlocução descrita pela polícia, sem antecipar uma conclusão de responsabilidade criminal.


