Bastou o jogador da camisa 22 marcar o gol da vitória do Brasil para Flávio Bolsonaro correr às redes sociais e tentar dar ao lance um significado político que claramente não estava em campo. Em postagem publicada logo após a classificação da Seleção, o senador insinuou que o número do herói da partida teria dono — ou ao menos utilidade eleitoral.
A leitura é tão previsível quanto reveladora. Em vez de discutir o país, apresentar agenda ou responder aos próprios desgastes recentes, Flávio preferiu pegar carona na emoção pronta da torcida e tentar colar o número 22, historicamente associado ao bolsonarismo, ao momento mais explosivo do jogo.
O gesto vem num momento particularmente ruim para o senador. Pré-candidato, ele acumula ruídos políticos, foi alvo de cobrança por ausências em votações no Senado e ainda tenta administrar o desgaste provocado pela crise pública com Michelle Bolsonaro. Nesse cenário, a postagem soa menos como empolgação de torcedor e mais como improviso de quem viu no placar uma chance de fazer campanha sem precisar falar de si mesmo.
A lógica é simples: quando falta fato político favorável, tenta-se sequestrar um símbolo popular. Dessa vez, o símbolo escolhido foi um número nas costas de um jogador da Seleção. Como se o gol decisivo do Brasil tivesse sido, no fundo, uma peça involuntária de marketing partidário.
O problema para Flávio é que a manobra diz mais sobre sua necessidade política do que sobre o jogo. A torcida viu um lance de futebol. Ele viu uma oportunidade de propaganda. E talvez aí esteja o retrato mais claro do momento: enquanto o país comemora o gol, o senador tenta contar voto dentro da comemoração.



