Pesquisadores brasileiros preparam um estudo clínico para avaliar o uso de células CAR-T em pacientes com formas graves de lúpus eritematoso sistêmico e miastenia gravis generalizada. A iniciativa reúne a Universidade de São Paulo, o Hemocentro de Ribeirão Preto, o Instituto Butantan e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
O projeto ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Se receber o aval, o teste deverá incluir 16 adultos com lúpus e dez com miastenia que apresentem quadros severos e não tenham respondido a pelo menos duas linhas de tratamento.
A terapia começa com a retirada de linfócitos T do próprio paciente. Essas células do sistema imunológico são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir linfócitos B, que participam da produção dos anticorpos associados a essas doenças autoimunes. Depois do preparo, as células alteradas são devolvidas ao organismo.
As células CAR-T ganharam espaço inicialmente no tratamento de alguns cânceres do sangue. Nos últimos anos, pequenos estudos internacionais passaram a investigar se a mesma estratégia poderia reiniciar parte do sistema imunológico em doenças autoimunes resistentes aos medicamentos disponíveis.
No Brasil, a pesquisa deverá usar a tecnologia desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto, o que também pode ampliar a experiência nacional na produção desse tipo de terapia. Os responsáveis ainda precisarão definir o acompanhamento clínico e os critérios de segurança exigidos para cada grupo de pacientes.
Apesar dos resultados iniciais observados no exterior, o uso de CAR-T contra lúpus e miastenia continua experimental. O número previsto de participantes é pequeno e não permite antecipar eficácia, duração da resposta ou efeitos de longo prazo. A eventual aprovação do ensaio representará o começo da avaliação clínica no país, e não a oferta imediata de um novo tratamento.


