A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Apesar da frequência, o diagnóstico ainda leva em média sete anos no Brasil, período em que muitas pacientes convivem com dores intensas tratadas como parte normal da menstruação.
A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina. Os sinais mais comuns incluem cólica forte ou incapacitante, dor durante relações sexuais e sangramentos intestinais ou urinários no período menstrual.
Um estudo realizado em Recife analisou prontuários de mais de 469 mil meninas e mulheres atendidas na atenção primária entre 2016 e 2025. Apenas 0,5% apareciam formalmente com histórico de dor pelo código preenchido pelo profissional. Quando os relatos livres foram examinados com análise semântica e inteligência artificial, a presença da queixa subiu para 8,7%.
A diferença sugere que as pacientes relatam a dor, mas o sintoma nem sempre é registrado com frequência, duração e intensidade suficientes para orientar a investigação. A normalização do sofrimento pode atrasar o tratamento, agravar lesões e afetar saúde mental, trabalho, relações e fertilidade.
A endometriose não tem cura definitiva, mas pode ser controlada. O tratamento inclui anti-inflamatórios, contraceptivos ou outros hormônios e, nos casos mais graves, cirurgia. Dor progressiva, que dura vários dias do ciclo ou não melhora com analgésicos, deve ser avaliada por um profissional de saúde.


