Guarujá prepara uma nova ampliação de seu sistema de vigilância urbana com a instalação de aproximadamente 500 novas câmeras de monitoramento, que serão incorporadas à rede já existente na cidade. Com a expansão, os novos equipamentos devem se somar às cerca de 2,3 mil câmeras hoje em operação, dentro de um projeto que aposta em inteligência artificial, reconhecimento facial, central mais moderna e apoio de drones.
A proposta é que o sistema passe a operar de forma integrada ao programa Muralha Paulista, ampliando o alcance da vigilância e a capacidade de resposta em tempo real. A gestão municipal informou que o projeto está em fase de licitação e que a expectativa é colocá-lo em funcionamento em até 90 dias, o que faria da cidade uma das que mais investem em monitoramento tecnológico na Baixada Santista.
O diferencial da nova etapa está justamente na sofisticação do uso pretendido. O sistema não ficará restrito à segurança criminal. Segundo a explicação apresentada no evento de segurança pública, a estrutura inteligente também deverá monitorar fluxo de trânsito, congestionamentos, falhas em semáforos e até demandas urbanas como necessidade de poda de árvores. Ou seja, a prefeitura tenta vender a tecnologia não apenas como ferramenta policial, mas como instrumento de gestão urbana em sentido mais amplo.
Na prática, o projeto reforça uma tendência que vem se consolidando em municípios médios e grandes: a transformação do videomonitoramento em infraestrutura permanente de governo. Com IA e leitura automatizada de padrões, o sistema deixa de ser apenas reativo e passa a atuar como camada de inteligência sobre circulação de veículos, pessoas, incidentes e gargalos urbanos.
O desafio, daqui para frente, será transformar volume de equipamentos em efetividade operacional. Não basta instalar mais câmeras: será preciso garantir integração real entre central, forças de segurança, gestão de dados e resposta em campo. Se conseguir fazer essa engrenagem funcionar, Guarujá pode elevar o padrão de monitoramento da cidade. Se não, corre o risco de apenas ampliar um parque tecnológico sem a mesma proporção de resultado prático.


