Exército registra 754 bilhões de tentativas de ataques digitais no País

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O Centro de Inteligência do Exército detectou 754 bilhões de tentativas de infiltração em sistemas digitais brasileiros em 2025. O número foi apresentado em palestra no quartel-general do Exército sobre ameaças ao Brasil e coloca os ataques cibernéticos entre os pontos de atenção da defesa nacional.

Na mesma apresentação, o órgão estimou em R$ 50 bilhões o valor da cocaína que passa pelo território nacional sob controle de facções criminosas. O levantamento aponta que o Brasil funciona como rota estratégica do tráfico internacional, especialmente pela proximidade com grandes produtores de cocaína e maconha na América do Sul.

De acordo com a inteligência militar, as ameaças cibernéticas são praticadas tanto por atores estatais quanto por grupos não estatais, com motivações ideológicas ou financeiras. O Exército avalia que parte das invasões teve sucesso devido à fragilidade de instituições, inclusive públicas.

Um dos casos citados foi o ataque à cadeia de suprimentos da Dígitro, empresa responsável pelo Sistema Guardião, usado por forças policiais em interceptações telefônicas. Segundo a Defesa Cibernética, a ação resultou no vazamento de 3,39 terabytes de dados, incluindo código-fonte e arquivos internos de soluções de inteligência e interceptação legal.

O comando da Defesa Cibernética também relatou um ataque ocorrido em junho de 2025 que provocou instabilidade em serviços do governo federal, atingindo domínios e sistemas ligados a órgãos como PF, Abin, INSS e ConecteSUS. As ameaças citadas envolvem espionagem, desinformação e ataques contra infraestruturas críticas.

Outro risco destacado é o uso de ransomware por organizações criminosas internacionais. Nesse tipo de ataque, sistemas são invadidos e criptografados para cobrança de resgate, o que pode afetar serviços essenciais, como hospitais, e colocar vidas em risco.

Para o Exército, a proteção de dados e infraestruturas digitais tornou-se questão de soberania. A preocupação também se estende ao uso de inteligência artificial, não apenas pela ferramenta em si, mas pelas informações sensíveis que podem ser processadas fora de ambientes controlados.

O alerta tem impacto direto sobre órgãos públicos, empresas, hospitais, operadores portuários e usuários de serviços digitais. Em regiões estratégicas como a Baixada Santista, onde há infraestrutura portuária, logística e energética, a segurança cibernética passa a ser parte central da proteção de serviços essenciais.

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