Pelo terceiro ano consecutivo, o suicídio foi a principal causa de morte entre policiais civis e militares no Brasil. O dado supera as mortes registradas em confrontos durante o serviço e também aquelas ocorridas fora do expediente.
Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado pelo Estadão, o número de policiais que morreram por suicídio cresceu 37,8% desde 2017. No mesmo período, as mortes violentas intencionais de agentes caíram 63,7%, o que aponta para uma mudança no perfil da vitimização policial no País.
Em 2025, foram registrados 110 suicídios entre policiais civis e militares. O número ficou acima das 29 mortes em confronto durante o serviço e das 59 mortes em confrontos ou por outras lesões não naturais durante a folga. No ano anterior, a tendência já havia sido semelhante, com 126 suicídios, 84 mortes fora de serviço e 32 em serviço.
Especialistas ouvidos na reportagem apontam que o problema envolve fatores como exposição contínua ao risco, más condições de trabalho, remuneração defasada, pressão institucional, trauma acumulado e dificuldade de acesso a cuidados de saúde mental dentro das corporações.
O caso de São Paulo acendeu alerta. Enquanto houve redução nacional de 126 para 110 registros, o Estado teve alta de 76,5% nos suicídios de policiais, passando de 17 para 30 casos em um ano. O aumento ocorreu tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil.
A Polícia Militar de São Paulo afirma oferecer atendimento psicossocial por meio do Sistema de Saúde Mental, com estrutura na capital e núcleos regionais. A Polícia Civil diz manter suporte por meio da Divisão de Prevenção e Apoio Assistencial.
Para especialistas, a prevenção exige políticas permanentes de saúde mental, protocolos para identificar sinais de sofrimento, capacitação de líderes e colegas, apoio a familiares e equipes após mortes por suicídio e redução do estigma associado à busca por ajuda.


