A instabilidade no Oriente Médio e o agravamento do conflito entre Irã e Estados Unidos aceleraram rodadas de licitação para exploração de petróleo e gás nas Américas, na África Ocidental e no Sudeste Asiático. Nesse cenário, o Brasil e áreas como a Bacia de Santos voltam a ganhar peso estratégico na disputa global por novas reservas.
Segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética citado pelo Estadão, as rodadas de licitação ganharam importância para garantir segurança energética, repor reservas e atrair investimentos de longo prazo em meio a incertezas sobre oferta, rotas de transporte e preços.
Antes da escalada do conflito, a perspectiva para exploração e produção em 2026 era de contenção de gastos, com retração global dos investimentos em petróleo. Com a instabilidade, ataques a infraestruturas e riscos no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, passaram a pesar mais nas decisões de investimento.
As grandes petroleiras passaram a reavaliar suas carteiras com foco em segurança jurídica, estabilidade política, distância de áreas de conflito e resiliência logística. Nesse contexto, bacias do Atlântico Sul, da Margem Equatorial brasileira à Namíbia, passaram a receber maior fluxo de capital.
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis prevê dois grandes leilões de exploração e produção em 7 de outubro: o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão e o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção.
A Bacia de Santos aparece diretamente nesse novo ciclo. O 6º Ciclo de Concessão deve ofertar 45 novos blocos exploratórios, distribuídos entre as bacias de Campos, Santos e Potiguar. Desse total, 11 blocos ficam na Bacia de Santos, em áreas offshore.
O pré-sal segue como principal base da produção brasileira, respondendo por quase 80% da produção nacional de petróleo e gás em 2025. A projeção da EPE é que ele continue dominante em 2035, com cerca de 76% do petróleo e 80% do gás.
Para sustentar a produção no longo prazo, a EPE lista novas fronteiras no mar, incluindo Santos, Campos, Sergipe-Alagoas, Pelotas e a Margem Equatorial. O estudo aponta que o Brasil combina potencial geológico, reservas provadas e ativos de alta produtividade, fatores que ajudam a reduzir custos operacionais.


