O relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro reúne conversas sobre convites para eventos jurídicos em Londres e uma autorização do banqueiro para custear despesas de Pedro Gonet, filho do procurador-geral da República, e do advogado Ciro Soares. Os registros de custeio referem-se à edição prevista para 2025, posteriormente cancelada.
Essa distinção é essencial porque o documento também descreve a preparação de um evento em 2024. Reunir as duas agendas como se fossem a mesma viagem produziria uma conclusão incorreta sobre datas, convites e participação. A aprovação de despesas nos diálogos não comprova que o valor tenha sido efetivamente pago.
Na sequência de 2025, Ciro Soares menciona a possibilidade de participação de Pedro. Em 11 de abril, uma funcionária de Vorcaro apresenta uma lista de pessoas e pergunta sobre despesas pagas para Londres. O banqueiro rejeita a aprovação geral e faz uma ressalva favorável a Pedro e Ciro.

O relatório registra novas tratativas nos meses seguintes, incluindo a preparação de um convite formal ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A cronologia termina com a informação de cancelamento do evento de 2025. Não há base para transformar essas conversas em confirmação de presença de todos os convidados.
Já as mensagens de 2024 incluem interlocuções de Fábio Faria e do organizador Márcio Chaer sobre o convite a Andrei, além de perguntas de sua assessoria sobre passagens e hospedagem. Também há referências à participação de Moraes na articulação de convites. Os registros devem ser lidos como comunicações dos interlocutores identificados, preservando os casos em que uma mensagem foi encaminhada de terceiro não identificado.
Chaer defendeu publicamente que contatos entre organizadores e patrocinadores fazem parte da preparação de eventos. O relatório não apresenta conversas diretas localizadas no aparelho entre Vorcaro e Gonet ou Andrei; reúne referências feitas por outras pessoas e as interpreta no contexto investigado.
A análise permite identificar quem discutiu convites e quem aprovou uma previsão de custeio. A comprovação de viagens, despesas realizadas ou eventual contrapartida exige documentação específica, que não pode ser substituída pela simples menção a autoridades nas mensagens.


